Vivências que transformam: viagem do Bernardo pelo programa Legislative Fellows

Como alguém que nunca havia viajado para fora do país, confesso que, pelo menos inicialmente, estava com um certo frio na barriga por fazer isso pela primeira vez. No entanto, devo dizer que a viagem foi uma experiência inesquecível, e a participação no programa Legislative Fellows me trouxe perspectivas completamente diferentes acerca do Meio-Oeste dos Estados Unidos — tanto em termos culturais quanto político-administrativos.

Logo ao chegar, fiquei impressionado com o tamanho das porções das refeições, que eram realmente muito generosas, como já haviam me avisado anteriormente, e percebi como a comida está presente em diversas ocasiões sociais. Além disso, por ter chegado ao país no dia 31 de outubro, pude vivenciar de perto o quanto a tradição do Halloween é levada a sério: ruas são fechadas e crianças pedem doces de porta em porta. A criatividade das fantasias me surpreendeu tanto quanto o grau de organização dos suburbs e a hospitalidade das pessoas que conheci ao visitar uma vizinhança nesse contexto.

Quanto aos aspectos político-administrativos, algo que me chamou bastante atenção ao visitar a Statehouse e conversar com membros do Poder Legislativo estadual foi o compromisso do estado em manter as contas públicas equilibradas — a ponto de ter sido informado de que a exigência de orçamento balanceado está prevista na constituição estadual. Para atingir tal objetivo, destaca-se a concentração da atividade legislativa em sessões não contínuas: os representantes e senadores — já que o estado possui um poder legislativo bicameral — só se dirigem à capital estadual quando é necessário votar alguma medida. Fora desses períodos, retornam às suas atividades privadas, como trabalhos em escritórios ou gestão de negócios, vivendo como cidadãos comuns enquanto não estão em atividade legislativa e, penso eu, mantendo maior contato com a realidade dos cidadãos que representam. Por isso, recebem uma remuneração anual proporcionalmente menor do que legisladores de tempo integral, já que o mandato não é exercido em dedicação exclusiva.

Outro ponto que me chamou atenção foi a forma como o território estadual é subdividido em condados. Diferentemente das cidades brasileiras, muitos desses condados possuem densidade populacional reduzida e, por isso, não contam com estruturas administrativas complexas, como prefeituras. Em vez disso, funcionam por meio de conselhos de comissários (county commissioners) ou conselhos locais, que em alguns casos são modestamente remunerados e em outros atuam de forma praticamente voluntária. Esses conselhos se reúnem para apresentar demandas e deliberar sobre questões comunitárias, o que reforça a participação direta da população e contribui para reduzir os gastos públicos com pessoal, já que não há uma burocracia municipal extensa. Essa característica evidencia uma lógica administrativa voltada para a austeridade e para a proximidade entre representantes e representados, algo que contrasta bastante com a realidade brasileira.

Além dessas observações — e para que meu breve relato não se torne um tratado de tão longo —, também devo dizer que visitei fazendas, restaurantes, me diverti no Top Golf e vi neve pela primeira vez. Fui bastante sortudo, já que não é comum nevar no outono. Foi tudo excelente e espero manter contato com as pessoas que conheci nos EUA.

Sou profundamente grato ao Partners pela oportunidade de aprendizado e pelo apoio constante, desde os preparativos até o meu retorno ao Brasil. Essa experiência marcou minha trajetória acadêmica e pessoal, e levarei comigo não apenas os conhecimentos adquiridos, mas também as amizades e conexões que construí.

Bernardo de Paula